Estudo prevê novo teste de contagem do vírus HIV

Pesquisadores baianos vão ao Ministério da Saúde na próxima quinta-feira solicitar que um novo teste de contagem do vírus HIV seja produzido no Brasil. O método, desenvolvido numa parceria entre médicos baianos e alemães, é mais preciso. É através da contagem do vírus no sangue dos portadores da Aids que os médicos prescrevem o coquetel de medicamentos. 

O estudo foi dividido em duas etapas. Na primeira, os pesquisadores baianos, em parceria com a universidade de Hamburgo, na Alemanha, analisaram duas mil amostras de sangue de portadores do vírus HIV da Índia, África do Sul e do Brasil. Os três países foram escolhidos porque apresentam maior diversidade dos subtipos de vírus.

Esse é o mesmo critério utilizado na segunda etapa para comparar mil amostras do Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Bahia. Nas duas fases, os pesquisadores compararam os resultados dos testes atuais usados para medir a quantidade de vírus no sangue com uma nova metodologia. O teste criado no hospital das Clínicas de Salvador é resultado de dois meses de estudo.

Os quatro pesquisadores baianos escolheram uma área do vírus que não muda com facilidade o que, segundo eles, permite maior capacidade de detectar os vírus que podem escapar dos outros testes. 'No teste anterior, alguns pacientes estavam piorando clinicamente, mas o teste dava indetectável. Com esse teste, nós percebemos que o tratamento não estava funcionando com os pacientes e o problema era de detecção do vírus', afirma o pesquisador Carlos Brites.

A uruguaia Rosália Piriz, soro-positiva há oito anos, está otimista com a descoberta dos pesquisadores baianos. 'Isso nos dá um incentivo muito grande. Esse exame é melhor e muito mais barato'. O teste usado hoje custa em média R$ 160. Se o novo método desenvolvido pelos pesquisadores baianos for aprovado, deve custar por volta de R$ 55.