Universidade estoca órgãos de vítimas do nazismo

 Mais de 100 pedaços de corpos humanos pertencentes a vítimas do nazismo foram encontrados na Universidade de Viena, na Áustria. Os pesquisadores que realizaram a descoberta desconfiam que pode haver mais órgãos humanos da mesma origem estocados na intituição. 

"Faltou sensibilidade por parte da universidade", afirmam os responsáveis pelo achado em artigo publicado no jornal científico Lancet, da Grã-Bretanha. 

Não há nenhum indícios que partes humanas de vítimas do nazismo tenham sido usadas em experiências feitas na Universidade de Viena. 

Mas os autores do artigo recomendam que seja aberta uma discussão a respeito da "falta de cuidado do meio médico no que diz respeito ao uso de partes de cadáveres humanos". 

Inimigos do estado 

Nos anos 1930 e 1940, 1.137 cadáveres de prisioneiros executados pelo nazismo foram encaminhados à Universidade de Viena, segundo registros oficiais. 

Os pesquisadores afirmam que é improvável que parte deles tenha se originado em campos de concentração. 

Eles pertenciam principalmente às milhares de pessoas que foram executadas no país durante a anexação nazista, entre 1938 e 1944. 

Mas é possível, segundo os pesquisadores, que boa parte dos fetos humanos preservados na universidade tenha tido origem em abortos forçados pelos nazistas.

Arquivos destruídos 

A maior parte dos arquivos do Instituto de Anatomia da universidade foi destruída durante bombardeios na Segunda Guerra Mundial. 

Mas os cientistas conseguiram comprovar que pelo menos cem pedaços de corpos humanos pertenciam a prisioneiros políticos ou crianças mortas em um programa de eutanásia patrocinado pelo nazismo. 

Esses restos mortais agora serão retirados da coleção do Instituto de Anatomia e serão enterrados em um "túmulo de honra" providenciado pela prefeitura de Viena. 

Ainda não foram identificadas as origens de 97 partes humanas estocadas no instituto, e os pesquisadores não descartam a possibilidade de que elas também pertencessem a vítimas do nazismo. 

Livro de anatomia 

No mesmo artigo publicado no Lancet, afirma-se que um livro de anatomia publicado por um membro do partido nazista pode ter utilizado cadáveres de vítimas do nazismo como modelo.

"Topografia da Anatomia Humana" foi publicado por Eduard Pernkopf na época do nazismo. 

Segundo o artigo, ele pode ter usado corpos de judeus executados nos campos de concentração como modelo para os desenhos que ilustram o livro. 

Muitas dessas imagens trazem pessoas com a cabeça raspada, como os prisioneiros dos campos de concentração. 

Segundo Michael Hubenstorf, especialista em história da medicina, outras entidades de ensino e pesquisa do país podem abrigar órgãos de vítimas dos nazistas. 

 

BBC Brasil

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