Conheça o novo doutor Frankenstein

 Uma exposição na capital alemã, Berlim, está dando o que falar - mesmo antes de ter sido aberta para o público. Chamada de Koerpewelten, ou Mundos Corporais, tudo o que a mostra apresenta são... seres humanos. Mortos, para ser mais exato. Os cadáveres foram mumificados e desfeitos, antes de serem reagrupados para a exposição.

O objetivo da mostra é ser educacional, incentivando o interesse das pessoas pela anatomia. Muita gente, no entanto, acham que trata-se de um espetáculo degradante.

Nova técnica

O professor Gunther von Hagens, que organizou a exposição, usa uma técnica desenvolvida nos anos 80, na universidade de Heidelberg, para criar as múmias.

O anatomista, de 57 anos, descobriu a "plastinação" - uma forma de preservar os tecidos humanos através da substituição dos fluidos corporais por uma resina sintética.

Mais de 3 mil pessoas deram autorização para ser "plastinadas" 

À primeira vista, os corpos parecem manequins de aulas de anatomia. Músculos, órgãos, o sistema nervoso e os vasos sangüíneos estão todos congelados no tempo.

Algumas das múmias da esposição são perturbadoras. Há, por exemplo, o corpo de uma mulher jovem com um corte mostrando, entre seus órgãos internos, um feto não-nascido dentro de seu útero.

Autorizações

Todas as pessoas dissecadas para a exposição deram seu consentimento para serem usadas pelo professor Hagens quando ainda estavam vivas.

Ainda assim, os críticos do anatomista comparam suas obras aos experimentos do médico nazista Josef Mengele. Outros, comparam Hagens com o dr. Frankenstein do clássico romance de terror.

Mas o professor rejeita todas essas comparações: "Durante toda a história da humanidade, exceto na renascença, o corpo humano sempre foi usado para causar a sensação de nojo".

"Eu estou fazendo o contrário. Os cadáveres "plastinados" mostram a beleza de seu corpo interior. Eu rompo com a tradição de Frankestein", completa Hagens.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/010211_frank.shtml